Nos últimos 10 anos, foram 33 mortes de ciclistas registradas em Manaus. Faltam ciclovias e ciclofaixas, investimentos, segurança e políticas públicas para uma mobilidade urbana sustentável na cidade.

Enquanto isso, o Secretário Municipal de Infraestrutura, Renato Júnior, ignorou nossas centenas de mensagens de pressão pela reforma de uma das maiores ciclofaixas da cidade, na Avenida Nathan Xavier.







Manaus carrega o título de pior capital para ciclistas do Brasil. O último plano de Mobilidade Urbana de Manaus, elaborado em 2015, tinha a perspectiva de promover uma infraestrutura cicloviária de 195 km, em um período de 30 anos. Mas, 8 anos depois, Manaus tem apenas 26 km de ciclovias e ciclofaixas disponíveis na cidade.

Além de ter a menor extensão de ciclovias e ciclofaixas por habitantes, isso significa que a capital do Amazonas é um perigo para a vida de quem pedala - falta sinalização adequada, fiscalização de velocidade, políticas públicas, condições ambientais favoráveis e, acima de tudo, respeito com os ciclistas.

Enquanto a falta de segurança e infraestrutura segue sendo os principais problemas enfrentados por ciclistas em Manaus, os gestores da cidade decidiram ignorar o pedido da população para a revitalização da ciclofaixa da Av. Nathan Xavier - um dos maiores corredores cicloviários que nós temos.

Ao lado de coletivos de ciclismo, enviamos mais de 400 mensagens de pressão por e-mail e pelas redes sociais para o Secretário de Infraestrutura, Renato Júnior, e produzimos vídeos que alcançaram mais de 13 mil pessoas denunciando o descaso com a ciclofaixa e a vida de ciclistas.

Ainda há muito caminho para percorrer por uma Manaus com mobilidade urbana sustentável e de qualidade, e se você quer somar com a gente nessa luta, clique no botão e mande uma mensagem para o nosso Whatsapp. Vamos seguir unidos e unidas em uma corrente de ativismo!






Com o pior índice de malha cicloviária do país, Manaus tem apenas 26,15 km de ciclovias e ciclofaixas disponíveis para ciclistas, enquanto a média das capitais brasileiras é de 161,69 km. Apesar disso, a Zona Franca de Manaus é a sede da maior produção nacional de bicicletas.



De 2012 a 2022, 33 pessoas perderam a vida enquanto andavam de bicicleta pelas ruas de Manaus, além de 110 mil acidentes foram registrados pelo DataSUS. A falta de infraestrutura adequada e de medidas para a segurança dos ciclistas, como fiscalização da velocidade dos veículos, estão relacionadas a esse problema.
Fonte: Pedala Manaus



Estudos estimam que o uso da bicicleta no lugar de carros e ônibus poderia economizar R$ 34 milhões nas despesas do Sistema Único de Saúde (SUS) com internações, por causa de diabetes ou doenças cardiovasculares, e economizar R$ 870 milhões aos cofres públicos, no caso da cidade de São Paulo.
Fonte: Cebrap (2018)




Dificuldades que encontramos ao pedalar na ciclofaixa da Avenida Nathan Xavier e que colocam em risco a vida dos ciclistas.














“A ciclofaixa da Nathan Xavier é um importante corredor para os ciclistas, mas é uma ciclofaixa muito perigosa para quem pedala. A sinalização foi perdida, não tem manutenção, e tá em uma via cuja velocidade regulamentar é de 60 km/h, mas ninguém respeita. Isso torna a vida do ciclista muito ruim”

Paulo Aguiar, Pedala Manaus

“Infelizmente Manaus não é preparada para receber a bicicleta. A ciclofaixa da Nathan Xavier está totalmente deteriorada e corre risco de um motorista avançar em cima de um ciclista. Enquanto não mudar a mentalidade das pessoas para enxergar a bicicleta como um transporte ativo, a cidade sempre vai ter problemas de mobilidade urbana”
Marco Antônio, Bike Anjo e Pedala Manaus

“Eu uso a bicicleta no dia a dia, para ir ao trabalho, fazer supermercado, ir na casa das pessoas, e uso a ciclofaixa da Nathan Xavier. Aqui é muito perigoso porque os veículos passam em alta velocidade e nós precisamos que reformem a ciclofaixa porque ela é muito útil para quem anda de bicicleta. Eu arrisco a minha vida para transitar nesta faixa”
Didi, Bike Anjo




Comparando a situação de Manaus com outra capital de número aproximado de habitantes, como Curitiba, é possível notar que a capital amazonense tem muito no que avançar em infraestrutura para ciclomobilidade.









População: 2.063.547 habitantes
Malha cicloviária: 26,15 km
Não tem ciclorrotas, nem ciclovias e ciclofaixas integradas
Sem sistema de bicicletas compartilhadas









População: 1.773.733 habitantes
Malha cicloviária: 245,7 km
Possui ciclovias, ciclofaixas, ciclorrotas e vias compartilhadas
Sistema de bicicletas compartilhadas com 20 estações





Antes do início de seu mandato, o prefeito David Almeida assinou uma carta se comprometendo com uma mobilidade urbana sustentável para Manaus. A má notícia é que em quase 1.000 dias à frente da Prefeitura, nenhuma das propostas foram realizadas integralmente. Nada saiu do papel e a situação de Manaus segue sendo lamentável quando se trata de mobilidade urbana.